quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Livro sobre Nada
Manoel de Barros

·                   Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
·                   Tudo que não invento é falso.
·                   Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
·                   Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
·                   É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
·                   Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
·                   Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
·                   A inércia é o meu ato principal.
·                   Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
·                   O artista é um erro da natureza.  Beethoven foi um erro perfeito.
·                   A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
·                   Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
·                   Por pudor sou impuro.
·                   Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora.

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